O debate sobre o ensino superior moçambicano é desafiado a tomar um novo rumo com o lançamento do livro “Ensino Superior em Moçambique: Contextos e Desafios” (1962–1975), de Felismino Basílio.
Foto: Feslimo Basílio
A obra, editada pela Interescolas, devolve ao espaço público um tema estrutural: a necessidade de compreender o passado para reconfigurar o futuro educativo de um país ainda em busca de equilíbrio entre expansão, qualidade e identidade académica.
Propõe uma viagem analítica às raízes do ensino superior em Moçambique, marcado, no período colonial, por profundos mecanismos de restrição que limitavam o acesso de moçambicanos às instituições universitárias.
Felismino Basílio resgata este percurso com rigor documental, revelando como a exclusão educativa estruturou desigualdades que ainda hoje se fazem sentir nos corredores das academias.
“Não se pode perspectivar uma melhor educação sem revisitar as bases do processo de construção do ensino superior moçambicano”, afirmou o autor.
Para Basílio, compreender este passado não é um exercício de nostalgia, mas uma ferramenta para delinear caminhos possíveis, alternativos e mais inclusivos, alinhados com a realidade contemporânea do país.
Por seu turno, o adémico Martins Maperra, sublinha a pertinência da obra para o actual debate nacional sobre a qualidade e o propósito das universidades. Segundo ele, o ensino superior não pode crescer “à margem dos avanços científicos e das necessidades reais do país”, devendo encontrar um ponto de equilíbrio entre expansão e excelência académica.
O livro convoca uma reflexão sobre desafios estruturais persistentes como pressão demográfica, financiamento insuficiente, falta de investigação aplicada e necessidade urgente de ligar a universidade ao desenvolvimento económico e social.
Contudo, aponta também para a resiliência das instituições moçambicanas, que têm procurado reinventar-se num cenário global competitivo.