A formação de professores é, hoje, mais do que nunca, um espelho do futuro de Moçambique.

Num país que construiu o seu sistema educativo entre as ruínas coloniais e as ambições de um estado independente, o debate sobre o perfil e a preparação dos educadores continua a ser central para o desenvolvimento social e humano.
A educação, afinal, não se faz apenas de manuais e currículos, faz-se de pessoas capazes de ensinar, inspirar e transformar realidades. A académica Brígida Singo recorda que, durante o período colonial, o processo de formação de professores era limitado e desigual, muitas vezes dissociado da verdadeira prática pedagógica.
“Nem sempre predominou o saber didáctico. Foi a vontade, o esforço e o compromisso das pessoas que sustentaram a construção do nosso Sistema Nacional de Educação”.
Para académica, o presente exige uma nova arquitectura na formação docente, capaz de eliminar as variações e inconsistências que ainda marcam o sector.
“Precisamos de um modelo sólido, coerente e moderno que garanta uma linha uniforme de qualidade. A educação não pode continuar a depender da boa vontade deve depender da competência e da visão”.
Com uma leitura atenta às metamorfoses do ensino nacional, Sarifa Abdul acrescenta que a pós-independência representou uma viragem profunda.
“A educação do homem novo marcou uma época de reconstrução e esperança. No entanto, as urgências daquele tempo privilegiaram a quantidade sobre a qualidade”, relembra.
Hoje, segundo a académica, o país enfrenta um cenário diferente mais estruturado, mas igualmente desafiante.
“Temos qualidade e quantidade, mas falta-nos uma gestão inteligente desses ganhos, com políticas e reformas que os consolidem.”
A docência não é apenas um ofício técnico, mas um compromisso ético com o futuro. A profissão docente pede hoje educadores que compreendam a diversidade cultural do país, que integrem tecnologias, e que saibam conduzir os alunos para um pensamento crítico e autónomo, condições indispensáveis para um Moçambique que se quer inovador e socialmente equilibrado.
Estas reflexões ganharam corpo recentemente durante a Mesa Redonda sobre “Desafios e Perspectivas na Formação de Professores em Moçambique no Período Pós-Independência”, um encontro de vozes que reafirmou a urgência de um novo pacto pela educação, educadores que ensinem com ciência, formem com consciência e inspirem com alma.
(Por Rafael Langa)

