
Recentemente, os alunos do primeiro ano do curso de licenciatura em Arqueologia e Gestão do Património Cultural da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) tiveram uma experiência diferente. Participaram de aulas práticas em Manyikeni e Chibuene, sítios arqueológicos localizados na província de Inhambane.
Os estudantes, guiados pelos professores Mussa Rajá e Énio Tembe, carregavam mochilas, cadernos e curiosidade própria de quem se aventura pelo passado. Em Manyikeni, entre ruínas silenciosas, puderam notar o quanto cada pedra parecia guardar segredos antigos.
Manyikeni, situado a 52 quilómetros de Vilanculos, é um importante sítio arqueológico moçambicano ocupado entre 1200 e 1700 n.e., associado à tradição do Grande Zimbabwe.
Destaca-se pela muralha de pedra sem argamassa, construída em calcário local, que reflecte laços culturais e políticos com o Império de Mwene Mutapa. Escavações revelaram vestígios de comércio com Chibuene, incluindo contas de vidro e conchas, bem como diferenciação social no consumo de carne bovina.
A presença da erva Cenchrus Ciliaris sugere introdução do Zimbabwe. Localizado próximo à costa, desempenhou papel central na rede comercial do Oceano Índico, sendo hoje referência patrimonial moçambicana.
Já em Chibuene, o mar aproximava-se como testemunha de trocas comerciais que, séculos atrás, ligavam Moçambique ao vasto oceano Índico. Ali, fragmentos cerâmicos, conchas, missangas e porcelana importada surgiam como peças dispersas de um grande puzzle.
É um sítio arqueológico moçambicano, localizado a cinco quilómetros a sul da cidade costeira de Vilanculos South Beach. O local foi ocupado em duas fases distintas. A fase anterior de ocupação data do final do primeiro milênio depois de Cristo.
(Por MozaVibe)

