Otis: a ponte entre a cultura moçambicana e brasileira

Actualmente residindo no Brasil, Otis destaca que um dos maiores desafios que tem enfrentado é o de manter as tradições culturais, ao mesmo tempo em que compreende a contemporaneidade, criando uma ponte entre esses dois universos, acredita firmemente na importância de se afirmar como moçambicano na diáspora.

Foto: Bantumen

O músico moçambicano Otis Selimane Remane iniciou a sua trajetória musical aos sete anos, destacando-se igualmente como produtor e compositor. Assumindo-se profissionalmente aos 14 anos, em 2015, em busca de novos horizontes e um aprofundamento nos estudos musicais, deixou Moçambique para o Brasil.

A ideia não era apenas aprimorar os seus conhecimentos, mas também expandir a colaboração artística, conectando de forma singular as culturas moçambicana e brasileira.

Hoje, como um dos 100 mais influentes da lusofonia, eleito pela plataforma Bantumen em 2024, tornou-se num exemplo de como a música pode ser uma ponte entre diferentes mundos, mantendo-se fiel às suas raízes e, ao mesmo tempo, adaptando-se à contemporaneidade.

No Brasil, enfrenta o desafio de preservar a tradição moçambicana, sem perder de vista o dinamismo da cena artística moderna, construindo, assim, um elo vital entre esses dois universos.

Actualmente residindo no Brasil, Otis destaca que um dos maiores desafios que tem enfrentado é o de manter as tradições culturais, ao mesmo tempo em que compreende a contemporaneidade, criando uma ponte entre esses dois universos, acredita firmemente na importância de se afirmar como moçambicano na diáspora.

A convivência com múltiplas identidades culturais exige, segundo Otis, uma tarefa constante de reforçar a nacionalidade, tornando-se um elo visível e ativo entre as diversas culturas em que está inserido.

A sua trajetória não é apenas marcada por reconhecimento, mas também por conquistas notáveis. Em 2018, foi laureado com o prémio “Novos Talentos do Jazz” no Brasil, conquistando, entre uma grande concorrência nacional e internacional, espaço em importantes festivais de jazz. Para ele, esse prémio simboliza mais do que um reconhecimento artístico; é um selo de validação do trabalho árduo e da consistência de sua jornada musical.

“Ver meu trabalho ser consumido e reconhecido, ter a oportunidade de colaborar com artistas com quem jamais imaginei trabalhar, e ser recomendado para diversos canais é um grande avanço", reflecte.

Esse reconhecimento, que não reflecte apenas a importância de um prémio, mas uma validação do impacto e da importância de sua música, que já alcança diferentes públicos e quebra barreiras. Considera ainda, que a sua carreira ainda está em construção e o seu caminho longe de ser concluído.

Ao olhar para o futuro, ressalta a responsabilidade de continuar promovendo a cultura africana sem os estereótipos que frequentemente marcam a perceção externa. Sendo um agente de inclusão, resgatando e difundindo saberes africanos, enquanto contribui para uma reinterpretação da memória brasileira, que passa também pela valorização do legado africano.

(Por Renaldo Manhice)