Graça Machel: Formar profissionais da educação do futuro

“Não podemos formar professores comuns, mas educadores de altíssima qualidade, dotados de ferramentas para compreender, interpretar e, sobretudo, antecipar as dinâmicas de um mundo em constante transformação”, disse Graça Machel.

Foto: UP

Prever o futuro e agir de acordo com o mesmo pode parecer uma missão impossível. No entanto, é possível e este é o desafio deixado à Universidade Pedagógica (UP) por Graça Machel, antiga ministra da Educação e Cultura.

Segundo ela, a instituição, que este ano completa 40 anos de existência, deve formar profissionais capazes de antecipar os tempos, como parte das estratégias para devolver UP ao seu lugar de vanguarda na formação docente e no pensamento sobre o país. Só assim a universidade se consolidará como uma referência nacional e internacional na educação.

“Não podemos formar professores comuns, mas educadores de altíssima qualidade, dotados de ferramentas para compreender, interpretar e, sobretudo, antecipar as dinâmicas de um mundo em constante transformação”, disse Graça Machel.

Adverte ainda que um professor deve estar décadas à frente do seu tempo para preparar jovens que estarão num mercado de trabalho imprevisível e exigente.

“Formar-se para o presente já não basta... É uma questão de sobrevivência estratégica do país. A relevância de Moçambique no concerto das nações dependerá da nossa capacidade de criar um sistema de educação que pensa adiante”, referiu.

Segundo a também activista dos direitos humanos, entre os grandes desafios colocados à UP está o de assumir com rigor e intencionalidade o seu papel histórico, bem como ser o centro nacional de excelência na formação de professores e técnicos de educação.

Nesse sentido, propõe ainda uma maior expansão da Universidade Pedagógica, acompanhada por instrumentos concretos de uniformização da formação, de modo a assegurar que os docentes formados em diferentes províncias partilhem a mesma matriz formativa.

“A nossa criança moçambicana, seja de onde for, tem de reconhecer-se na outra. Isso exige uma linha clara e coesa na formação dos docentes. Criatividade é importante, mas deve assentar sobre uma base partilhada e sólida”, considerou.
A intervenção de Graça Machel integra-se nas celebrações dos 40 anos da UP.

O evento teve lugar em Maputo sob o lema “UP-Maputo: Génese e Percurso”. Enquanto ministra da Educação e Cultura, teve um papel relevante na criação da UP, então Instituto Superior Pedagógico (ISP) em 1984.
(Por Rafael Langa)