Sebastião Coana: ser solidário e promover mudanças

"Uma das maneiras de retribuir é crescer a minha carreira, me recordando do mundo de onde eu venho”, Sebastião Coana.

Foto: Sebastião Coana (à direita)

Não só de arte vive o artista. Alimenta-se, também, dos seus valores, dentre eles a solidariedade, um gesto que pode parecer simples, mas capaz de promover mudanças e deixar legados inspiradores.

Sebastião Coana é um destes artistas plásticos que sempre que pode, dá o melhor de si para despertar a sociedade sobre a necessidade de acolher a quem mais precisa.  Recentemente, dou, por exemplo,  um valor monetário de 50 mil meticais à Associação Esperança Viva, em Nampula, consiste na Promoção e Desenvolvimento Comunitário e Educação Infantil.

É, como ele descreve, um gesto simbólico, que resulta de uma parceria com o Beach Polo Mozambique. A iniciativa sublinha que o acto de dar está profundamente ligado ao seu próprio percurso do artista, uma vez que a sua carreira foi construída graças à contribuição, crença e apoio de muitas pessoas.

“Eu não acordei com pincéis em casa para pintar, não acordei com tintas, eu fui doado coisas. Então, quando o tempo vai passando, a essa bênção, ou a esse carinho que eu recebi,  vira-se a hora de poder retribuir.  E uma das maneiras de retribuir é crescer a minha carreira, me recordando do mundo de onde eu venho”, afirmou.

Segundo o artista, existe a ideia errada de que apenas quem tem muito pode doar. Coana discorda desta percepção e defende que o gesto social deve responder a uma causa e envolver todos, independentemente da quantidade.

Para ele, doar é um acto que deve suscitar mudança e contribuir para a melhoria das condições de vida das pessoas. Além disso, considera que a ajuda não deve ser adiada até que alguém esteja “suficientemente bem”.

“Por uma simples causa. Porque, no meu parecer, é que tudo tem o seu tempo. Se chega tarde, o teu apoio, a tua ajuda, pode não ser tão útil como se tivesse chegado pouco na hora certa. Isso é, tarde, tu já pode ter mais condições. Mas, será que terá o mesmo impacto?” , questionou.

No que diz respeito aos planos futuros, Sebastião Coana acredita que o melhor investimento é no conhecimento. Por isso, manifesta o desejo de apoiar iniciativas de formação, especialmente na área das artes.

O artista destacou o papel do Movimento Artístico de Moçambique, uma associação dedicada à formação de jovens nas artes e no artesanato, sublinhando que o crescimento do sector passa pela capacitação das pessoas.

“O melhor dinheiro é dar o talento às pessoas, é dar a enxada para que possam ganhar a vida fazendo algo com o talento que lhes é dado através das formações. Porque em Moçambique temos um potencial muito grande de gerar emprego através do artesanato.”, defendeu.

(Por Joana Mawai)