Duas décadas separam a primeira edição do Moçambique Fashion Week (MFW) daquela que decorreu em Maputo, de 1 a 6 de Dezembro de 2025. Este ano, o público amante da moda foi brindado com várias novidades, num evento dedicado aos negócios e às cadeias de valor.

O MFW, já na sua 21.ª edição, foi um espaço para reconhecer profissionais da moda, fotografia, tecnologia, entre outras áreas. Destacou-se igualmente pela aposta clara no algodão.
Numa parceria estratégica com o Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique, foi criado um espaço de debate sobre produção, industrialização e mercado. O grande mérito esteve em discutir como dinamizar a cadeia de valor, bem como deixar de olhar apenas para a carreira dos criadores. Assim, promoveu-se a transição para que o algodão seja processado no país, envolvendo vários actores, desde a produção até à confecção de roupa com matéria-prima nacional.
O director-geral do Instituto do Algodão e Oleaginosas, Edson Almeida, afirma que a expectativa do sector é fazer do Moçambique Fashion Week uma plataforma para mobilizar os atores do subsector, sobretudo os produtores, mas também os operadores de fomento, de modo a estabelecer ligações com os consumidores finais, ou seja, com a indústria da moda moçambicana.
“Como podemos constatar, temos como país um desfasamento em termos do destino da fibra produzida a nível nacional, maioritariamente voltada para a exportação. Mas temos capacidade de transformar ao nível local, e é essa capacidade que gostaríamos de impulsionar através de iniciativas deste género. Queremos permitir que a indústria moçambicana de moda possa consumir o algodão produzido em Moçambique”, explicou Edson Almeida.
Na mesma linha, a secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, defendeu que o objectivo do Governo é ver o algodão processado internamente, de forma a potenciar toda a cadeia produtiva ligada à criação em moda.
Matilde Muocha espera que a industrialização interna do algodão, aliada ao desenvolvimento da indústria da moda no seu todo, contribua de forma significativa para o Produto Interno Bruto.
“Nós estamos a falar do segundo sector mais importante do ponto de vista económico, caso esteja suficientemente desenvolvido, depois da agricultura. Estudos feitos pela UNESCO revelam que, só na África Subsariana, esta economia representa cerca de 31 mil milhões de dólares. Portanto, é uma economia que deve ser considerada”, salientou.
O MFW 2025 procurou alinhar criatividade e sustentabilidade com objectivos económicos concretos: incentivar a produção local, fortalecer ligações entre produtores e indústria e promover a transformação do algodão no país. O desafio é traduzir estes debates em políticas públicas e investimentos que permitam que a matéria-prima nacional seja, cada vez mais, incorporada nas coleções e linhas de produção moçambicanas.
(Por Joana Mawai)

