A proposta é clara: democratizar o acesso aos livros desta colecção, fortalecer o hábito da leitura desde cedo, bem como promover a inclusão cultural e contribui para a formação de leitores e pensadores. Ler, defende, não pode ser privilégio, mas um direito.

O livro é ainda uma raridade e luxo nalgumas regiões do país. É que se muitas bibliotecas andam quase vazias, as livrarias são tão escassas que se podem contar a dedo. São necessárias, por isso, iniciativas de promoção e incentivo à leitura, sobretudo nos mais novos.
Este é o caso do projecto “Gosto de Ler”, que pretende tornar os livros mais acessíveis e aproximar a literatura às comunidades. A iniciativa foi lançada esta semana pela Fundação Fernando Leite Couto, em parceria com o Standard Bank Moçambique.
No centro do projecto está a colecção literária “Gosto de Ler”, composta por obras de cinco autores consagrados da literatura moçambicana, nomeadamente Albino Magaia, Mia Couto, João Borges, Paulina Chiziane e Lília Momplé.
No âmbito desta iniciativa, 25 mil exemplares impressos serão distribuídos gratuitamente por escolas, bibliotecas, associações culturais e comunidades em todo o país.
Para Mia Couto, escritor e presidente da Fundação Fernando Leite Couto, esta colecção marca mais do que a publicação de livros, representa um passo concreto na criação de oportunidades para que mais moçambicanos, especialmente os jovens, possam crescer com o hábito de leitura.
“Queremos que estes livros cheguem a todo o país”, afirmou, destacando que a missão da Fundação é justamente apoiar leitores, dar espaço a novos escritores e manter viva a profissão literária em Moçambique.
“A leitura tem um papel essencial no desenvolvimento pessoal e social. É o que estamos a promover”, disse.
Já Esselina Macome, PCA do Standard Bank Moçambique, reforçou o compromisso da instituição com o impacto social do projecto. Para ela, a leitura vai além do prazer, é uma base essencial para o desenvolvimento educacional, profissional e cívico.
“Se não soubermos ler, não conseguiremos compreender o que o país precisa, o que se discute, o que se propõe. E só se aprende a ler, lendo. É por isso que o Standard Bank se junta com orgulho a esta causa. Queremos contribuir para a formação de crianças, adolescentes e jovens que possam participar activamente no crescimento do país”, afirmou.
A proposta é clara: democratizar o acesso aos livros desta colecção, fortalecer o hábito da leitura desde cedo, bem como promover a inclusão cultural e contribui para a formação de leitores e pensadores. Ler, defende, não pode ser privilégio, mas um direito.
Durante a conferência, os escritores seleccionados mostraram-se profundamente honrados e entusiasmados por fazer parte deste projecto, reconhecendo o seu potencial para inspirar e motivar as novas gerações de leitores e escritores.
(Por Renaldo Luís)

