Entre as ideias apresentadas estão o uso de redes digitais inteligentes, criação de mecanismos de armazenamento de energia renovável e defesa de financiamento climático mais justo, que permita às comunidades vulneráveis terem acesso a soluções sustentáveis

Num momento crítico para o combate às mudanças climáticas no país e não só, jovens de diferentes províncias do país reuniram-se para defender um modelo de transição energética que una justiça social, inclusão e coragem política.
A iniciativa surge num período em que o mundo enfrenta pressões crescentes para reduzir emissões de carbono e investir em energias renováveis.
Durante a sessão, os participantes discutiram propostas concretas para impulsionar a transição energética no país. Entre as ideias apresentadas estão o uso de redes digitais inteligentes, criação de mecanismos de armazenamento de energia renovável e defesa de financiamento climático mais justo, que permita às comunidades vulneráveis terem acesso a soluções sustentáveis.
Laura Tomm-Bonde, coordenadora residente e humanitária interina da ONU -Moçambique, sublinhou que o país está entre os mais expostos aos impactos das mudanças climáticas, o que exige maior envolvimento da juventude nas soluções para enfrentar o problema.
“O país é um dos mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, por isso, a juventude deve estar no centro das respostas e soluções”, afirmou.
Na mesma linha, Marcelina Mataveia, directora nacional de Energia do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, defendeu que o país precisa avançar da retórica para a prática e garantir que todos tenham acesso justo e sustentável à energia.
“Precisamos transformar palavras em acções concretas. O acesso à energia limpa e à justiça social é um direito de todos”, destacou.
Já para Flávia Nicole Bila, jovem representante da YCAC Moçambique, a nova geração do país reúne as qualidades necessárias para assumir um papel de liderança na mudança do sector energético.
“A juventude moçambicana é criativa, resiliente e está pronta para conduzir essa transformação”, afirmou.
A discussão reforçou a importância de colocar os jovens no centro das políticas climáticas e energéticas do país, não apenas como beneficiários, mas como protagonistas activos na criação de soluções inovadoras.
Além disso, o encontro procurou mostrar que a transição energética não é apenas uma resposta a uma crise ambiental, mas também uma oportunidade para repensar o desenvolvimento de Moçambique. Com investimentos em energias limpas e acessíveis, o país poderá reduzir desigualdades, criar empregos verdes e promover um crescimento mais justo e inclusivo.
O encontro foi organizado pela ONU Moçambique, em parceria com a YCAC MOZ, e contou com a presença de representantes da sociedade civil juvenil, autoridades governamentais e agências das Nações Unidas. A actividade inspirou-se no apelo global “Momento de Oportunidade”, feito pelo Secretário-Geral da ONU, António Guterres, que convoca países a adoptarem medidas mais ambiciosas e urgentes para enfrentar a crise climática.
(Por Renaldo Manhice)

