Graça Machel defende tecnologia centrada no ser humano

‎Inspirada na filosofia africana do Ubuntu “Eu sou porque tu és”, a líder moçambicana destacou que o avanço tecnológico não pode estar dissociado do respeito à vida, à justiça social e à solidariedade.

Foto: RIW

‎Num encontro que gerou uma condecoração simbólica recebida por Graça Machel durante a plenária principal destacando o compromisso com a paz, os direitos humanos e a justiça social. Para além do reconhecimento, o maior encontro de tecnologia, inovação e empreendedorismo da América Latina abriu espaço para um debate que ultrapassa fronteiras e coloca a educação e a justiça social no centro das discussões sobre o futuro.

No Rio Innovation Week 2025, Graça Machel marcou presença com um discurso que ecoou entre líderes internacionais, empreendedores e jovens estudantes, defendendo que a tecnologia só cumpre o seu papel quando reforça a dignidade humana.

‎"A tecnologia deve nos tornar mais humanos, mais iguais, mais saudáveis. Não pode ser usada para nos substituir ou marginalizar”, declarou. 

‎Inspirada na filosofia africana do Ubuntu “Eu sou porque tu és”, a líder moçambicana destacou que o avanço tecnológico não pode estar dissociado do respeito à vida, à justiça social e à solidariedade.

‎No painel que dividiu com o médico congolês e Prémio Nobel da Paz Denis Mukwege, Machel chamou a atenção para a urgência de repensar a educação no contexto digital. Segundo ela, o uso da tecnologia deve estar alinhado ao fortalecimento de capacidades humanas, ampliando o acesso ao conhecimento e formando cidadãos preparados para enfrentar os desafios de um mundo em rápida transformação.

Essa visão ganha relevância para Moçambique, onde as instituições de ensino superior e técnico-profissional enfrentam desafios relacionados à inclusão, à qualidade de ensino e ao acesso equitativo a ferramentas digitais.

O discurso de Machel projecta um horizonte em que a inovação pode actuar como ponte para reduzir desigualdades, modernizar os currículos e abrir novas possibilidades de aprendizagem para os jovens.

(Por Rafael Langa)