Helena Buque levou a ciência nacional ao pódio mundial.

Foi na Coreia do Sul que o nome de um jovem médico moçambicano ressoou entre os principais especialistas do mundo. O neurologista do Hospital Central de Maputo (HCM) ganhou o prestigiado "Prêmio Elsevier de Melhor Artigo Clínico", concedido pela Federação Mundial de Neurologia durante o 27º Congresso Mundial de Neurologia.
Trata-se de uma conquista histórica que não só celebra o talento individual, como também simboliza o avanço da investigação científica em Moçambique.
Como única competidora africana no concurso, Helena apresentou o artigo "O fardo das doenças neuroinfecciosas crônicas na África Subsaariana: - Insights preliminares de um estudo de coorte em andamento no Hospital Central de Maputo, Moçambique", um estudo que busca compreender o fardo das doenças neuroinfecciosas crônicas na África Subsaariana.
O projeto deriva de sua pesquisa de doutorado em Pesquisa Clínica e Medicina Transnacional na Universidade do Algarve. Ele reflete um compromisso inabalável com a ciência, a saúde pública e o futuro da neurologia em contextos com recursos limitados.
Para Helena, o prêmio vai além do reconhecimento acadêmico; é uma mensagem de esperança e perseverança científica. "Trabalhar em um ambiente desafiador também é uma oportunidade para inovar. Este prêmio demonstra que a pesquisa realizada em Moçambique pode contribuir para o conhecimento global."
Combinando a prática clínica com a pesquisa, Helena Buque dedicou sua carreira à neurologia, especificamente no Hospital Central de Maputo. Buque é presença constante em laboratórios e enfermarias, onde divide seu tempo entre o tratamento de AVCs, distúrbios do movimento e doenças neuroinfecciosas — áreas que ainda carecem de estudos aprofundados no continente.
Sua pesquisa lança luz sobre uma realidade frequentemente negligenciada: a crescente carga neurológica nos países africanos, resultante de fatores infecciosos, genéticos e estruturais que ainda são pouco compreendidos.
Além do seu trabalho clínico, a médica também é uma voz ativa na formação de novos profissionais de saúde, acreditando que o verdadeiro progresso começa na sala de aula.
(Rafael Langa)

